34% dos doadores da campanha de Flávio Bolsonaro financiaram também Jair em 2022; Lula teve 1,4% de recorrência nas duas eleições

  • 23/10/2026
(Foto: Reprodução)
Flávio Bolsonaro e Lula em entrevista com Renata Lo Prete Globo/ Manoella Mello Mais de um terço dos doadores de campanha do candidato a presidente de Flávio Bolsonaro (PL) financiaram também a candidatura do pai dele, Jair Bolsonaro (PL), nas eleições de 2022. Já Lula (PT) reteve oito financiadores do pleito anterior, que representam 1,4% de todas as pessoas físicas que enviaram recursos à campanha do petista neste ano. No caso do candidato do PL, dezenove doadores recorrentes fizeram depósitos acima de R$ 100 mil. Destes, treze fizeram as doações depois do primeiro turno das eleições, ou seja, após 4 de outubro. Flávio ficou à frente de Lula nas urnas no primeiro turno. A maioria desses doadores são empresários, presidentes de empresa e produtores e executivos ligados ao agronegócio. Os maiores aportes, de R$ 500 mil a R$ 1 milhão, vieram de Alexandre Grendene Bartelle, empresário bilionário e cofundador da fabricante de calçados Grendene; Fernando de Castro Marques, presidente da farmacêutica União Química; e Gilson Lari Trennepohl, dono da Stara, uma das maiores empresas de máquinas agrícolas da América Latina. Do lado de Lula, os oito doadores recorrentes têm relações próximas ou são integrantes do governo. A lista inclui nomes como Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais; Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Miriam Belchior, ministra da Casa Civil. As doações variam, ao todo, de R$ 1 mil a R$ 27 mil. Agora no g1 As informações são de um levantamento feito pelo g1 com base nos dados disponíveis no portal DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os registros de doações de pessoas físicas às campanhas fazem parte da prestação de contas dos candidatos, que ainda é parcial. Ou seja, a lista de doações de cada campanha em 2026 ainda pode ser atualizada com novos recebimentos. Qualquer pessoa física pode apoiar financeiramente candidatas, candidatos ou partidos políticos. As doações devem ser feitas de forma identificada e rastreável. A doação por parte de empresas é proibida. O levantamento do g1 não inclui os valores arrecadados por meio de vaquinhas eleitorais, já que esses recursos são registrados no TSE de forma agrupada, em nome das empresas responsáveis pela intermediação do financiamento coletivo, e não como doações individuais de cada apoiador. A prestação de contas completa para o primeiro turno deve ser encaminhada à Justiça Eleitoral até 3 de novembro, enquanto informações sobre o segundo turno podem ser enviadas de 26 de outubro até 14 de novembro. Veja detalhes sobre quem são os financiadores recorrentes: Flávio Bolsonaro (PL) Flávio recebeu doações de 462 pessoas físicas diferentes. Destes, 161 também doaram para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022. Isso significa que um terço das pessoas físicas que enviaram dinheiro à campanha de Flávio fizeram o mesmo com o pai dele. Em 2022, Jair Bolsonaro foi derrotado nas urnas por Lula. Naquele ano, Jair recebeu financiamento direto de mais de 392 mil pessoas. No caso de Flávio, dezenove dos doadores recorrentes fizeram depósitos acima de R$ 100 mil. Destes, treze fizeram as doações depois do primeiro turno das eleições. A maioria desses doadores são empresários, presidentes de empresa e produtores e executivos ligados ao agronegócio. Os principais doadores que Flávio Bolsonaro tem em comum com Jair são: Alexandre Grendene Bartelle, empresário bilionário e cofundador da fabricante de calçados Grendene: doou R$ 1 milhão para Flávio em 2026 e R$ 1 milhão para Jair em 2022. Fez o repasse para Flávio depois do primeiro turno. Fernando de Castro Marques, presidente da farmacêutica União Química: doou R$ 500 mil para Flávio e R$ 12 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio antes do primeiro turno. Gilson Lari Trennepohl, dono da Stara, uma das maiores empresas de máquinas agrícolas da América Latina e vice-prefeito do município Não-me-Toque, no Rio Grande do Sul: doou R$ 500 mil para Flávio e R$ 350 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio depois do primeiro turno. Walter Schlatter, prefeito do município de Chapadão do Sul, em Mato Grosso do Sul: doou R$ 300 mil para Flávio e R$ 100 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio antes do primeiro turno. Jose Mikhael Maluf Neto, empresário do ramo imobiliário em Mato Grosso: doou R$ 250 mil para Flávio e R$ 200 para Jair. Fez o repasse para Flávio depois do primeiro turno. Fernando Haruo Takahashi Fuziy, diretor executivo da Corpal Incorporadora e membro do conselho da Paysage Corpal: doou R$ 250 mil para Flávio e R$ 100 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio depois do primeiro turno. Marcony Sobral Mendonça, diretor-presidente da rede de concessionárias Italiana Automóveis: doou R$ 222 mil para Flávio e R$ 101 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio depois do primeiro turno. Romeu Froelich, dono do Grupo Nativa de agronegócio no Mato Grosso e administrador de outras empresas: doou R$ 200 mil para Flávio e R$ 250 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio depois do primeiro turno. Paulo Rogerio De Morais Machado, empresário, produtor rural e diretor da Unicotton, cooperativa de produtores de algodão no Mato Grosso: doou R$ 200 mil para Flávio e outros R$ 200 mil para Jair. Fez o repasse depois do primeiro turno. Paulo Maximiano Junqueira Neto, ruralista, advogado, empresário do agronegócio, presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto, vice-presidente da Associação Rural Vale do Rio Pardo: doou R$ 184 mil para Flávio e R$ 158 mil para Jair. Fez parte do repasse para Flávio antes do primeiro turno e parte depois. Waldemar Verdi Junior, presidente do Grupo Rodobens, grupo empresarial de serviços financeiros e varejo automotivo: doou R$ 180 mil para Flávio e R$ 30 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio antes do primeiro turno. Gervasio Zanella, empresário do setor agrícola e sócio de diferentes empresas do ramo de transporte de carga: doou R$ 150 mil para Flávio e R$ 40 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio depois do primeiro turno. Marcos Wurzius, empresário de Mato Grosso ligado ao agronegócio: doou R$ 120 mil para Flávio e R$ 1.022 para Jair. Fez o repasse para Flávio depois do primeiro turno. Sergio Cardoso de Almeida Filho, produtor rural e empresário de São Paulo ligado ao agronegócio: doou R$ 101 mil para Flávio e R$ 40 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio depois do primeiro turno. Humberto Gabriel Cantu, fundador da Cantu, plataforma produtora e distribuidora de pneus: doou R$ 100 mil para Flávio e R$ 65 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio antes do primeiro turno. Inacio Jose Webler, produtor de soja estabelecido no Mato Grosso: doou R$ 100 mil para Flávio e outros R$ 100 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio antes do primeiro turno. Marcos Roberto Cruz, empresário e fundador do Grupo Canopus, que reúne concessionárias em todo o país e oferece serviços de energia e seguros de proteção veicular: doou R$ 100 mil para Flávio e R$ 70 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio depois do primeiro turno. Celso Griesang, engenheiro agrônomo e fundador da empresa de produção agrícola Sementes Tropical: doou R$ 100 mil para Flávio e R$ 10 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio depois do primeiro turno. Osmar Martignago, produtor rural no Mato Grosso e sócio de holdings de agronegócio e investimento: doou R$ 100 mil para Flávio e R$ 50 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio antes do primeiro turno. Renato Burgel, presidente da Associação Sul-mato-grossense dos produtores de algodão: R$ 100 mil para Flávio e R$ 300 mil para Jair. Fez o repasse para Flávio antes do primeiro turno. Lula (PT) Até o momento, Lula recebeu doação direta de 571 pessoas físicas. No pleito anterior, em 2022, teve 139 doadores diretos. Os oito financiadores que o presidente manteve em sua campanha de reeleição têm laços com o governo. A lista inclui ex-ministros, ex-integrantes do governo Dilma, pesquisadores, secretários executivos e assessores especiais. As doações variam de R$ 1 mil a R$ 27 mil. Os doadores das campanhas de 2022 e 2026 de Lula são: Miriam Belchior, ministra da Casa Civil e ex-ministra do Planejamento de Dilma Rousseff: doou R$ 27,9 mil em 2026 e R$ 7 mil em 2022. Fez o repasse para Lula antes do primeiro turno. Aloizio Mercadante, presidente do BNDES: doou R$ 20 mil em 2026 e R$ 24,7 mil em 2022. Fez o repasse para Lula antes do primeiro turno. Luis Alberto de Mendonça Sabanay, dirigente nacional do PT de Santa Catarina e primo do ministro do STF André Mendonça: doou R$ 20 mil em 2026 e R$ 7,9 mil em 2022 através da prestação de serviços. O repasse para Lula foi registrado depois do primeiro turno. Marcio Tavares dos Santos, secretário executivo do Ministério da Cultura: doou R$ 6,5 mil em 2026 e R$ 9,9 mil em 2022 através da prestação de serviços. O repasse para Lula foi registrado antes do primeiro turno. Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais: doou R$ 2 mil em 2026 e R$ 4,9 mil no pleito anterior. Fez o repasse para Lula depois do primeiro turno. Ideli Salvatti, ex-senadora por Santa Catarina e ex-ministra da Pesca e das Relações Institucionais de Dilma Rousseff: doou R$ 2 mil em 2026 e R$ 1 mil em 2022. Fez o repasse para Lula depois do primeiro turno. Paulo Bernardo Silva, ex-ministro das Comunicações de Dilma Rousseff e ex-ministro do Planejamento de Lula: doou R$ 2 mil em 2026 e R$ 250 em 2022. Fez o repasse para Lula depois do primeiro turno. João Cláudio Basso Pompeu, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA): doou R$ 1 mil em 2026 e outros R$ 1 mil em 2022. Fez o repasse para Lula antes do primeiro turno. Os doadores novos de Lula têm perfil semelhante ao dos recorrentes. Como mostrou o g1, aparecem na prestação de contas contribuições de pessoas próximas ao governo atual e também serviços prestados (casos em que o valor declarado corresponde a um serviço oferecido à campanha, e não a uma transferência de dinheiro). Entre os doadores estão Marco Aurélio de Carvalho, um dos coordenadores da campanha, e Luiz Marinho, atual ministro do Trabalho e Emprego. Uma prestação de serviço veio do cantor gospel e pastor Kleber Lucas, que declarou R$ 30 mil pela gravação de áudio de jingle e clipe para a campanha do presidente. Lula também recebeu doações de acadêmicos, como Rabih Nasser, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), e Mayra Cristina da Luz Pádua Guimarães, doutoranda em enfermagem na Universidade de São Paulo (USP). Essas doações variam de R$ 15 mil a R$ 50 mil.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/23/doadores-recorrentes-campanhas-2022-2026-flavio-bolsonaro-lula.ghtml


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